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Fantástico mostra com exclusividade o depoimento de tenente-coronel acusado de matar esposa

Caso PM Gisele: Fantástico mostra com exclusividade depoimento de tenente-coronel, acusado de ter matado a esposa. O Fantástico deste domingo (11) mostrou ima...

Fantástico mostra com exclusividade o depoimento de tenente-coronel acusado de matar esposa
Fantástico mostra com exclusividade o depoimento de tenente-coronel acusado de matar esposa (Foto: Reprodução)

Caso PM Gisele: Fantástico mostra com exclusividade depoimento de tenente-coronel, acusado de ter matado a esposa. O Fantástico deste domingo (11) mostrou imagens exclusivas do depoimento do tenente-coronel Geraldo Neto, acusado de matar a esposa, a soldado Gisele Alves. Nesta semana, ele passou por seu último interrogatório antes da justiça decidir se ele irá a júri popular. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico "Eu não sou um assassino, tá? Eu tô há 202 dias preso injustamente, porque eu não cometi crime nenhum. Eu não matei a minha esposa. Ela que cometeu suicídio... Eu tô aqui preso sem ter feito isso", afirma durante a gravação. Foram mais de oito horas de audiência. A soldado Gisele Alves, de 32 anos, foi baleada na manhã de 18 de fevereiro. Segundo a perícia, o tiro saiu da arma do tenente-coronel. Os dois estavam sozinhos no apartamento do casal, em São Paulo. Desde o pedido de socorro até o último depoimento, Neto mantém a versão de suicídio. "Transformaram o suicídio em feminicídio de séries. E eu vou, nos meus argumentos aqui, eu vou provar que não aconteceu feminicídio. Foi suicídio e eu sou inocente", afirmou Geraldo Neto durante o depoimento. Para o advogado José Miguel Júnior, a versão de Neto é irreal. "Ela é uma versão que fere a perícia. A perícia é totalmente imparcial, fundamentada e contundente. Gisele não cometeu suicídio e sim foi vítima de um feminicídio". O Fantástico mostrou o conteúdo dos laudos periciais e a versão final apresentada pelo tenente-coronel. Com base nessas informações, a juíza vai decidir se ele vai ou na júri popular. Tenente-coronel Geraldo Neto, durante depoimento Reprodução/Fantástico A cena do crime Geraldo Neto diz que, naquela manhã, terminou o relacionamento com Gisele e foi tomar banho. “Eu entrei embaixo do chuveiro, orando, falando: ‘Deus, acalme a cabeça desta mulher. Será que eu tomei a decisão certa de falar pra ela? Eu prefiro mesmo me separar? Aí eu escutei um barulho muito forte. Esse barulho não pode ser, pensando comigo", afirma. Ele conta que abriu a porta e viu a mulher caída na sala. O laudo da reprodução simulada contesta essa afirmação e indica que uma árvore de Natal encobria a visão dele. “Quando eu saí do banheiro, a árvore não estava mais do lado do sofá, estava desmontada em cima da cama, toda desmanchada", afirmou Neto. O tenente-coronel diz ser vítima de uma armação. “As peritas foram, remontaram a árvore, demoraram ali quase 10 minutos pra remontar a árvore. Só pra me acusar", diz. Mas as câmeras corporais dos PMs que atenderam a ocorrência registraram a árvore na sala, intacta. Além disso, um bombeiro, que socorreu Gisele, lembra da posição exata da árvore. Ele não foi identificado pela reportagem por questões de segurança. Ele foi um dos primeiros a entrar no apartamento e afirma não ter visto vestígios de água próximo ao banheiro. INVESTIGADORES: “O apartamento tinha sinais de estar molhado? Tavam pegadas molhadas? De quem acaba de sair do banheiro e sai correndo?” BOMBEIRO: “Não, o apartamento não tava molhado". Naquela manhã, as câmeras policiais também registraram o momento em que o tenente-coronel decide tomar o que seria um segundo banho. "Porque primeiro eu não terminei. Eu só molhei o corpo. E o meu banho, pra mim, eu tenho que lavar a cabeça, fazer a barba, lavar o corpo todo. Não é só jogar uma água nas costas. Terminar o banho que eu havia começado", diz ele em sua defesa. A arma O bombeiro desconfiou da versão de suicídio e decidiu registrar o que viu ao chegar ao apartamento. Ele tirou uma foto da arma, que estava posicionada na mão esquerda da vítima. “Já atirei e sei do impacto que provoca um tiro de ponto-quarenta. E a arma, ela estava muito corretamente registrada na mão e apoiada na coxa da vítima”, disse a testemunha. A Polícia Técnica produziu três laudos principais. Todos descartam a hipótese de suicídio. O último reafirma: “A conclusão é que seria impossível Gisele ter atirado contra a própria cabeça.” A versão de Neto "Por isso que as pessoas não acreditam que ela cometeu suicídio. Porque só conhecia a Gisele simpática e sorridente. Uma vez, ela jogou um prato em mim e cortou meu braço. Se existisse a lei... fazer uma analogia aqui... a 'Mário da Penha', eu já seria vítima e teria pedido a protetiva", afirmou Neto no depoimento. Para a defesa, ele construiu essa narrativa pra colocar a Gisele como vilã e tentar contra a sua vida. "E ele ser o marido perfeito, ele ser o pai perfeito, o padrasto perfeito, o oficial da polícia militar perfeito. Ou seja, ninguém, a não ser ele, tem uma conduta ilibada", disse o advogado José Miguel Júnior. "Não condiz com a realidade, não condiz com todo o histórico da investigação". A promotoria destacou as evidências de que Neto teria sido agressivo. Em uma mensagem enviada 12 dias antes da morte, Gisele diz em um áudio: “Ontem enfiou a mão na minha cara.” Neto responde que a seria Gisele quem teria enviado a mensagem, pois ela tinha acesso ao seu celular. As investigações mostram também que, em meio a uma escalada de discussões, Gisele cita diversas vezes que quer o divórcio. Neto nega que houvesse a possibilidade de separação, mas, na audiência, relata que era ele quem queria o divórcio. Para a perícia, Gisele foi abordada por trás e imobilizada. Em seguida, levou um tiro à queima-roupa. O laudo aponta quatro marcas de dedos no queixo da policial. Além disso, sangue foi encontrado no banheiro, toalha e bermuda do tenente-coronel. Defesa A defesa do tenente-coronel Geraldo Neto pediu à Justiça que ele responda ao processo em liberdade. Mas o oficial segue preso preventivamente. O Ministério Público é contra a soltura e alerta que, em liberdade, o tenente-coronel pode usar sua influência para comprometer o julgamento. Neto reagiu ao pedido de liberdade feito por seu advogado juntando as mãos em gesto de oração. Geraldo Neto faz sinal de oração enquanto seu advogado fala Reprodução/Fantástico A defesa de Geraldo Neto se manifestou por meio de nota e afirmou que confia na impronúncia, ou seja, que o tenente-coronel não será levado a júri popular. Caso emblemático "Eu acho que é um caso de repercussão emblemático e que diga para a sociedade um basta. A mulher não pode mais continuar sendo vítima de machismo e de feminicídio como está ocorrendo no nosso país", encerra o advogado José Miguel Júnior. Tenente-coronel Geraldo Neto é acusado de matar a esposa, a soldado Gisele Alves em SP. Reprodução Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. 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